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domingo, 15 de maio de 2011

Nota da CNBB a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal quanto à união entre pessoas do mesmo sexo


Nós, Bispos do Brasil em Assembleia Geral, nos dias 4 a 13 de maio,reunidos na casa da nossa Mãe, Nossa Senhora Aparecida, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar e esclarecer a respeito da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Saudamos todas as famílias do nosso País e as encorajamos a viver fiel e alegremente a sua missão. Tão grande é a importância da família, que toda a sociedade tem nela a sua base vital. Por isso é possível fazer do mundo uma grande família.

A diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural. As Sagradas Escrituras, por sua vez, revelam que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e os destinou a ser uma só carne (cf. Gn 1,27; 2,24). Assim, a família é o âmbito adequado para a plena realização humana, o desenvolvimento das diversas gerações e constitui o maior bem das pessoas.
As pessoas que sentem atração sexual exclusiva ou predominante pelo mesmo sexo são merecedoras de respeito e consideração. Repudiamos todo tipo de discriminação e violência que fere sua dignidade de pessoa humana (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2358).
As uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo recebem agora em nosso País reconhecimento do Estado. Tais uniões não podem ser equiparadas à família, que se fundamenta no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e educação dos filhos. Equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo à família descaracteriza a sua identidade e ameaça a estabilidade da mesma. É um fato real que a família é um recurso humano e social incomparável, além de ser também uma grande benfeitora da humanidade. Ela favorece a integração de todas as gerações, dá amparo aos doentes e idosos, socorre os desempregados e pessoas portadoras de deficiência. Portanto têm o direito de ser valorizada e protegida pelo Estado.

É atribuição do Congresso Nacional propor e votar leis, cabendo ao governo garanti-las. Preocupa-nos ver os poderes constituídos ultrapassarem os limites de sua competência, como aconteceu com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal. Não é a primeira vez que no Brasil acontecem conflitos dessa natureza que comprometem a ética na política.
A instituição familiar corresponde ao desígnio de Deus e é tão fundamental para a pessoa que o Senhor elevou o Matrimônio à dignidade de Sacramento. Assim, motivados pelo Documento de Aparecida, propomo-nos a renovar o nosso empenho por uma Pastoral Familiar intensa e vigorosa.
Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de Vida e Senhor da história, que nasceu, cresceu e viveu na Sagrada Família de Nazaré, pela intercessão da Virgem Maria e de São José, seu esposo, ilumine o povo brasileiro e seus governantes no compromisso pela promoção e defesa da família.
Aparecida (SP), 11 de maio de 2011
Dom Geraldo Lyrio Rocha

Presidente da CNBB

Arcebispo de Mariana – MG



Dom Luiz Soares Vieira

Vice Presidente da CNBB

Arcebispo de Manaus – AM



Dom Dimas Lara Barbosa

Secretário Geral da CNBB

Arcebispo nomeado para Campo Grande - MS



Publicado em http://www.cnbb.org.br/

sábado, 15 de janeiro de 2011

Papa João Paulo II será beatificado no próximo dia 1º de maio

João Paulo II


João Paulo II será beatificado no próximo 1º de maio, informou o Vaticano, depois que o papa Bento XVI deu seu aval à decisão.




A beatificação será feita em tempo recorde, inferior aos cinco anos habitualmente necessários para iniciar o processo. João Paulo II faleceu em 2 de abril de 2005. Esta celeridade se explica pela "imponente reputação de santidade da qual gozava o papa João Paulo II durante a sua vida, em sua morte e depois de sua morte", explicou o Vaticano em um comunicado.





Bento XVI confirmou em um decreto que a cura de uma freira francesa, que sofria de mal de Parkinson, era milagrosa e que este era o último passo necessário para a beatificação de seu antecessor.

Fonte: http://www.catocilismoromano.com.br/, em 15/01/2010

sábado, 1 de janeiro de 2011

1º DE JANEIRO- SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS


"Desde os tempos mais antigos, a Bem Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, e cujo amparo os fiéis dão com suas súplicas em todos seus perigos e necessidades" (Const. Dogmática Lumen Gentium, Num 66).

Este dogma foi proclamado pela Igreja Católica no Concílio de Éfeso em 431, como sendo Maria a "Mãe de Deus", em grego Theotokos e em latim Mater Dei. O Concílio de Éfeso proclamou que "se alguém não confessa que o Emmanuel é verdadeiramente Deus, e que por isso a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, já que engendrou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema "(...)

É mister lembrar que quando um dogma é proclamado, ele vem em resposta a dúvida vigente naquele tempo, portanto proclamar que Maria, no qual o verbo se encarnou por obra do Espírito Santo é Mãe de Deus é proclamar para quem colocava em dúvida a divindade de Cristo, que Ele é Deus, duvidar dessa maternidade é também duvidar da divindade de Jesus.

Maria, sendo mãe acolhe as dores e alegrias do Filho. Mãe de Deus e nossa, roga pelos amados filhos, mesmo quando estes, na sua frieza e ignorância a desprezam.

Feliz aquele que caminha nesse mundo, amparado pelas mãos carinhosas e firmes da mãe, quem pode chorar, ser consolado, ser acariciado, encorajado por ela. Felizes aqueles que se alegram no abraço maternal de Maria.

Começar o ano sob a proteção da mãe de Deus e nossa é garantia de vitória, pois ela não nos leva a outro lugar senão aos braços do seu filho, Jesus.

Neste primeiro dia de 2011, consagremos nossos sonhos sonhos, nossos projetos à Mãe.

MÃE DE DEUS E NOSSA , ROGA POR NÓS!

Eliane Maria Ruela

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SANTA LUZIA



Nasceu em Siracusa(Itália) no fim do século III. Pertencia a uma família abastada, recebeu formação cristã. fez um voto de viver a virgindade perpetuamente. Após a morte do pai, sua mãe a queria casar com um jovem, mas esse era pagão.
Luzia, tendo a mãe gravemente enferma, a propôs que fossem em romaria ao túmulo da mártir Santa Águeda, em Catânia, e que a cura da doença seria a confirmação do não para o casamento. A mãe foi milagrosamente curada. Luzia vendeu tudo, deu aos pobres e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa.
Não aceitando oferecer sacrifícios a falsos deuses, nem quebrar seu voto de virgindade, enfrentou as perseguições das autoridades. Não houve força humana capaz de arrastá-la. Várias juntas de bois não a puderem levar, as chamas do fogo não a puderem queimar, por fim foi decapitada pela espada no ano de 303.
Não se sabe ao certo se é verídico o fato de terem-lhe arrancados os olhos antes de sua morte. Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou Jesus, Luz do mundo, testemunhando-o até as últimas consequências.
"ADORO A UM SÓ DEUS VERDADEIRO, E A ELE PROMETI AMOR E FIDELIDADE"( sta Luzia)
Eliane Maria

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Imaculada Conceição


O dogma da Imaculada Conceição foi instituído pelo Papa Pio IX no dia 8 de dezembro de 1854, que declara: “Desde a sua concepção, Maria foi preservada do pecado original e de suas conseqüências pelos méritos de Cristo, que se chama redenção preventiva”.

Ter sido preservada do pecado original, não tira de Maria , não tira o mérito de suas virtudes, como o silêncio, a obediência, o serviço. Mulher do abandono, não se temeu em dizer sim aos planos de Deus, sendo íntima do Pai, reconheceu sua voz e prontamente acolheu sua vontade. Vontade que guardou no silêncio do coração, um silêncio que fecundo toda a vida de Maria, que a levou a conhecer o coração de Deus, livre dos barulhos externos e das vozes interiores que tanto atormentam o coração humano e impedem de ouvir a doce e mansa voz do Criador.

Mulher que soube servir, serviu a sua família, a seus amigos, a sua prima Isabel, não se valeu da condição de mãe do Senhor, mas esqueceu de suas próprias necessidade e colocou-se a caminho, embaixo de sol, no meio da poeira, enfrentou a cansativa viagem até a casa de Isabel que dela precisava naquele momento. Foi assim aos pés da cruz, não fez do seu sofrimento de mãe, que com o coração dilacerado via seu filho ser morto, em silêncio, esteve de pé diante da cruz e acolheu o discípulo amado e a cada um dos seres humanos como filhos, mesmo aqueles que ainda não a aceitam como mãe, sim , para ela não há distinção, seu amor é incondicional, pois vem do amor de Deus. Já havia servindo assim, durante a vida pública de Jesus, não reteve o filho para si, pois sabia que a Ele era dada uma missão .

Infelizmente, no dia de hoje, por causa do sincretismo religioso, em muitos lugares do Brasil, essa mulher, esposa do Espírito Santo é confundida com um deusa do candomblé, e como não podia deixar de ser, continua em silêncio, intercedendo para que todos os seus filhos vejam a luz.

Eliane Maria

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CRISTO FOI EMBRIÃO

 O homem, inclusive antes de nascer, tem uma dignidade altíssima e por isso tem direito a não ser tratado como um objeto em benefício de outros.
Esta foi a afirmação do Papa Bento XVI em sua homilia da "Vigília pela vida nascente", realizada na Basílica de São Pedro , antes das Primeiras Vésperas com as que se inaugurava o tempo litúrgico do Advento.
Nesta vigília, convocada como novidade este ano, o Papa quis reafirmar o "altíssimo valor" da vida humana, assim como advertir contra as "tendências culturais que tentam anestesiar as consciências por motivos injustificáveis".
"Nesta linha se coloca a solicitude da Igreja pela vida nascente, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e pelo escurecimento das consciências".
A ciência, segundo o Papa, evidencia a autonomia do embrião, sua capacidade de interação com a mãe, a coordenação dos seus processos biológicos, a continuidade do desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo.
"Não se trata de um cúmulo de material biológico, mas de um novo ser vivo, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana", afirmou o Papa.
Por isso, acrescentou, a Igreja sempre reiterou o que o Concílio Vaticano II afirma sobre o aborto e qualquer violação do nascituro: "A vida deve ser protegida desde a concepção com o máximo cuidado".
"Não há nenhuma razão para não considerá-lo uma pessoa desde a concepção", disse.
O homem, prosseguiu o Papa, "tem uma originalidade distintiva sobre todas as outras criaturas que habitam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, além de estar composto de realidade material".
"Somos, portanto, espírito, alma e corpo. Somos parte deste mundo, ligados às possibilidades e limites da condição material; ao mesmo tempo, estamos abertos a um horizonte infinito, capazes de dialogar com Deus e de acolhê-lo em nós."
A pessoa humana, acrescentou, exige "ser reconhecida como um valor em si" e "merece ser acolhida com respeito e amor para sempre".
Todo homem "tem o direito de não ser tratado como um objeto que se possui ou como algo que pode ser manipulado à vontade; tem o direito de não ser reduzido a puro instrumento para vantagem de outros e seus interesses".
Infelizmente, continuou, "mesmo após o nascimento, a vida das crianças continua estando exposta ao abandono, à fome, à pobreza, às doenças, ao abuso, à violência, à exploração".
O Papa recordou o apelo ao respeito pela vida humana, de João Paulo II, na Evangelium Vitae, e exortou "os protagonistas da política, da economia e da comunicação social a fazerem todo o possível para promover uma cultura sempre respeitosa da vida humana, para buscar condições favoráveis e redes de apoio à acolhida e desenvolvimento desta".
Cristo foi embrião
Este tempo do Advento, explicou o Papa, "nos faz voltar a viver a espera de Deus que se faz carne no ventre da Virgem Maria, de Deus que se faz pequeno, que se torna uma criança".
Este processo de crescimento embrionário "também aconteceu com Jesus no ventre de Maria; e acontece com cada um de nós no ventre da mãe".
Por isso, continuou, "o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana estão íntima e harmonicamente conectados no plano salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um".
"A encarnação nos revela com luz intensa e de forma surpreendente que toda vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável."
Acreditar em Jesus Cristo, acrescentou o Papa, "implica em ter um novo olhar sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança".
A pessoa "é um bem em si mesmo e é preciso sempre buscar seu desenvolvimento integral", concluiu o Pontífice.


Padre Ivanil José (Chile)






sábado, 4 de dezembro de 2010

MARIA: MODELO DE VIDA

Impossível ignorar a pessoa de Maria neste tempo especial. O Pai quis contar com a jovem de Nazaré para realizar seu plano de salvação e ela era livre para dizer SIM ou NÃO.

Maria como toda jovem tinha sonhos, planos e no momento do anúncio se viu frente à uma decisão: seguir seus projetos pessoais que eram lícitos e lhe trariam felicidade ou correr riscos e aceitar os planos de Deus.
Muitas vezes o ser humano é desafiados a abandonar seus projetos de felicidade e acolher a vontade do Senhor. Por medo de arriscar, de se abandonar nas mãos daquele que o ama desde sempre e para sempre, inúmeras vezes escolhe a acomodação , perdendo assim a chance de viver a plenitude da felicidade, se contentado com as migalhas.

Aprendamos com Maria que para viver é necessário ter coragem de correr riscos, ou como Santa Clara disse um dia a São Francisco “Solta-te de ti mesmo e dá um salto mortal”. Maria aceitou abandonar seus planos porque sentia-se profundamente amada por Deus ao ponto de declarar “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Aprendamos com ela a sermos todo de Deus, a permitirmos que a Palavra esteja encarnada em nós.
Eliane Maria


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ADVENTO DO SENHOR

Antes de começar a postagem de hoje, queremos agradecer ao Padre Ivanil, missionário no Chile, pelos artigos enviado sobre o advento,partilhando conosco sua experiência.



Estamos no tempo litúrgico do Advento que é um tempo de vigilância e de espera para atualizarmos em nossa história Aquele que veio, virá e vem: Jesus Cristo, o Senhor! Veio a primeira vez na fragilidade; virá uma segunda vez na glória, mas a cada dia podemos encontrá-Lo em cada irmão ou irmã. É o Mistério da Encarnação que agora nos preparamos para celebrar!
É nesse tempo que a Igreja Católica do Brasil desenvolve a sua Campanha para a Evangelização como um tempo de despertar-nos e alimentar-nos com a consciência missionária e o compromisso evangelizador.
Iniciamos essa Campanha no Domingo de Cristo Rei, e ela se estende até o 3º Domingo do Advento, domingo da Alegria (Gaudete)
O Advento ajuda-nos, assim, a aprofundar a nossa responsabilidade evangelizadora que é tão necessária na Igreja, sendo que cada um de nós é responsável pelo anúncio do Evangelho de Jesus Cristo aos irmãos e irmãs.
Talvez seja essa uma das maiores lacunas que temos em nossa caminhada eclesial: a consciência missionária e evangelizadora! Não podemos esperar que outros façam e trabalhem nas missões; somos nós, batizados, os responsáveis e animadores para que em nossas comunidades a Palavra de Deus seja a luz no caminho de tantas pessoas que estão ao nosso redor.
É claro também que essa tarefa tem uma dimensão universal, como é o significado de nossa catolicidade, e não se resume apenas no trabalho local, mas é em nossas comunidades onde vivemos e onde iniciamos essa missão.
A Campanha para a Evangelização deste ano tem como tema “Discípulos e Missionários” que, como sabemos, está inspirado na V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho que será realizado em Aparecida, no Estado de São Paulo. Por Discípulos e Missionários entendemos que cada um de nós, ao fazer uma verdadeira experiência do seguimento de Cristo em sua vida é, ao mesmo tempo, um apóstolo animado! “Quem encontrou Jesus Cristo e se deixou cativar por Ele não pode deixar de comunicar isso também aos outros”!
O anúncio do Advento é que estamos nos preparando para o grande presente que Deus enviou ao mundo: Seu filho Jesus! Ao acolher esse grande dom não podemos ficar sem uma resposta generosa.
A Campanha para a Evangelização dá-nos essa possibilidade: a nossa resposta aos presentes que recebemos de Deus, e uma maneira de vivermos intensamente a missão evangelizadora será a partilha que faremos no próximo final de semana, 3º domingo do Advento, com a Coleta para a Evangelização.
A Coleta para a Evangelização é realizada em todas as comunidades, capelas, igrejas, locais de culto, celebrações da Igreja Católica no Brasil e destina-se a ajudar na missão evangelizadora da Igreja.
Todos nós sustentamos a missão eclesial, seja com a nossa participação missionária, seja com a nossa ajuda financeira.
Todas as coletas do próximo final de semana são destinadas a isso. Esses recursos serão repartidos para os Regionais da CNBB, para a CNBB Nacional e para as Dioceses. Em nossa Arquidiocese, a parte que fica para nós é entregue para a Coordenação de Pastoral para o sustentamento dos trabalhos de implantação do Plano de Pastoral e outras situações de necessidade.
A nossa Igreja ainda depende muito da ajuda de outros irmãos e irmãs e há vários países que nos ajudam nas construções e Igrejas, nos trabalhos sociais, na aquisição de veículos e também na organização pastoral. Sentimos a necessidade de dar um passo no país, onde bastaria o mínimo de ajuda de cada católico na coleta para a evangelização e teríamos o necessário para a missão da Igreja durante um ano.
Todas as paróquias receberam os folhetos de reflexão para os quatro domingos da campanha; os cartazes e os envelopes que, distribuídos ao povo, deverão ser entregues na coleta das celebrações no próximo final de semana.
Eis um grande desafio para todos nós: a nossa auto sustentação e a partilha com outras comunidades que necessitam melhorar ainda mais a missão evangelizadora. “Com nossa doação generosa ajudaremos nossa Igreja Católica a evangelizar mais e melhor”.
 Padre Ivanil José










sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Uma árvore que cai, faz mais barulho que uma floresta que cresce"


Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola, como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamento da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que frei Miato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados. Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosálio, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de atenção a soropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda na áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote "normal" em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa- notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias,pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,

Pe. Martín Lasarte, SDB.